terça-feira, 6 de junho de 2017

Europa 3ª temporada – Cap. 1: Welkom


E voilá! Eis que depois de alguns anos estou mais uma vez pondo meus pés no velho continente. E desta vez tudo começou correndo bem, sem as más surpresas da temporada passada. Mas claro que, pra não passar a chegada sem nenhuma emoção, fui parado por um fiscal do aeroporto já quase a 3 passos de sair no portão de desembarque e convidado a abrir minhas duas malas para inspeção. E dentre todas as muambas que minha família manda toda vez que alguém vem pro lado de cá, havia um pote (devidamente embalado) com, nada mais nada menos que, coxinhas. Sim, minha família é capaz disso e muito pior.
Após explicar que na mala haviam vários presentes pra minha família que vive aqui, então o guarda me pergunta:  “o que é que tem nesse pacote?”. E aí fiquei naquele dilema mental de “como raios eu vou explicar pra esse guarda belga o que é uma coxinha?”. Então num raciocínio rápido apenas falei a melhor opção que me veio à mente: “it’s chicken.”.
E então ele me diz: “chicken is not allowed”, e me diz pra não trazer mais isso. Chamou um outro oficial por lá, falaram algumas coisas em holandês enquanto esculhambavam com a organização da minha mala, tentou implicar com 2 pacotes de café,  um amassado e outro não, e por que eles estavam “diferentes”. Após ver que não tinha mais como achar cabelo em sapo comigo, falou: pode ir.

Como na minha primeira viagem situação semelhante aconteceu – fui vistoriado – não posso dizer que minha chegada foi com uma surpresa ruim. Muito pelo contrário!  Já no primeiro nascer do sol fui presenteado com uma muito boa surpresa...
Aproveitando que a próxima segunda feira seria feriado por aqui, Paulina e Kris me presentearam com uma viagem à Rotterdam!

Welkom Rotterdam


Eu fiquei maravilhado, pois Rotterdam era uma das cidades que tinha posto na minha cabeça de visitar com certeza nessa primeira semana que eu deixei sem programação definida. Então fomos nós 3 e no caminho confirmamos que teríamos também a companhia da minha outra prima Janaina e seu noivo Alex.

Check-in feito, hora de bater perna! O tempo estava ótimo, solzão (deu até pra queimar a testa no fim do dia) e temperatura por volta dos 18°. A cidade é muito linda e organizada, exatamente como eu imaginava quando estava vendo as fotos e lendo sobre na internet. O que eu não imaginava era como era pequena! Sério, acho que nunca peguei um mapa tão pequeno em toda minha vida. Cabia tudo num papel menor que A4 sem dobrar.
Mas não ache que isso é uma coisa ruim. Muito pelo contrário. É ótimo pois dá pra fazer tudo a pé, não tem risco de se perder e quanto mais você anda mais se maravilha com as ruas à beira da água, os barcos nos rios, patinhos, gaivotas e um número um pouco exagerado de McDonald’s.

Outra coisa legal é que a cidade consegue equilibrar muito bem a estética tradicional e portuária, com a estética moderna. Então é bem fácil num minuto cruzar de uma ruazinha dessas de 1400 e lá vai o trem, pra uma avenida com cara de centro comercial e prédios de arquitetura altamente louca e moderna.

Prédios velhos, prédios modernos, barcos e eu... Rotterdam é "de maas"!


Após um breve lanche num restaurante à beira do rio (claro), fomos para o primeiro passeio. E qual maneira melhor de começar a conhecer uma cidade cortada pelas águas do que um boat tour? Uma coisa curiosa é que Rotterdam tem os Water Taxi e Water Bus. Até pensamos em experimentar os dois pois eles (principalmente o taxi) navegam, digamos, “com emoção” como se fossem um cavalo de batalha e suas vidas dependessem disso. Porém, a função deles é exatamente aquela que propõem seus respctivos nomes: levar as pessoas de um ponto a outro da cidade. Ou seja, não é exatamente um tour.
Sendo assim, como verdadeiros turistas que éramos, resolvemos pegar o Spido. Um tour aquático num barco bem bastante enorme de grande mesmo, que passa por todas (ok, quase todas) as águas da cidade e vai também até a parte mais distante do porto, onde se pode ver os grandes navios de carga, transatlânticos e os titanics da vida. O barco é bem aquela plataforma turística: mesas e um café na parte de baixo, cadeiras e mais cadeiras nos 2 andares de cima. Tipo aqueles ônibus sightseeing só que na água e, porra, muito maior.

No topo do Spido


Depois de uns 15 minutos lá no andar de cima, estilamos com vento forte e frio e fomos fazer o resto do tour lá embaixo na parte coberta e protegida do vento gelado. Mas deu pra render boas fotos, tanto lá de cima como de baixo.

Ao final do tour, nosso próximo destino foi ir em direção as famosas Casas-Cubo. No caminho passamos em frente ao Markthal, que é um enorme e belíssimo mercado gastronômico, e fica quase em frente às casas-cubo. Mais prático, impossível. Infelizmente era um domingo e véspera de feriado e por isso, estava fechado nesse dia, então só vi por fora mesmo, mas tenho certeza que vale uma visita, principalmente à noite onde tudo fica iluminado. Li também que às vezes rolam uns eventos lá dentro. Deve ser bem legal.
A área das casa-cubo é bem maior do que eu esperava pelas fotos. Lá dentro funciona o hostel Stay Ok, que vi que tem uma boa avaliação quando estava pesquisando sobre a cidade. Outras lojinhas e outras coisas você também encontra lá pelo térreo, mas o legal mesmo é tendo a vista panorâmica por fora. Imagino como deve ser entrando mesmo nessas casas.

Markthal gigantão


Casas-Cubo

Após essa parte andamos por mais algum tempo, explorando as ruazinhas, chegamos à rua Witte de Withstraat, onde pude ver que provavelmente é o lugar da night de Rotterdam. Apesar do sol no céu, já era noite e tinha muita gente jovem (ou não) e descolada nas mesas dos bares  nas calçadas fazendo seu happy hour. A rua é repleta de opções de restaurantes de todos os tipos e nacionalidades. Paramos no Wagamama, uma rede de comidas asiáticas para nosso jantar, e apesar do meu gosto frescurento peculiar para alimentação, encarei e no final tava até bom, a não ser por algumas porções de arroz muito mal cozinhados.

Na saída, uma paradinha para um verdadeiro Gelatto Italiano e fomos encerrar nosso dia, bastante cansados depois de mais ou menos 10h de bate-perna.

No dia seguinte, antes de voltamos para Bélgica, duas paradas em Delft e Gouda, ainda na Holanda!


Delft foi até agora a surpresa mais maravilhosa. Acho que o fato de eu não saber absolutamente nada sobre o lugar contribuiu para o meu maravilhamento pois, meu deus, mas que cidade linda! (Russo, Renato)
Arriscaria traduzir como uma Brugge menor e menos medieval, mais pra vilarejo. Mas traz a mesmas características que tornam a cidade belga tão deslumbrante: canais e pontes ligando as ruas da cidade. O bucolismo é tanto que, assim que chegamos, demos de cara com um cachoro que ~ não aguentou e foi nadar ~, passeando simplesmente resolveu pular dentro de um dos canais, atrás de quê eu não sei. Patinhos, talvez?
Como toda cidade de 1400 e bolinha, Delft, tem uma praça central - o Markt - bem bonita e espaçosa. Onde se concentram todos os turistas e as lojas de sourvenirs e pessoas vendendo seus produtos e artesanatos.
Uma coisa que me chamou a atenção enquanto sentava um pouco por lá, foi a calmaria e a tranquilidade que ali havia, apesar de ser uma praça central e turística, com tanto comércio acontecendo. Ninguém grita, ninguém aborda, ninguém chama... Se fosse no nosso Brazilzão, hein? Imagina a "feira"?




Delft Markt
Em seguida, à apenas poucos minutos de viagem, fomos à Gouda, que curiosamente acabou sendo a piada da viagem pois eu soltei a pérola de dizer que achava que o queijo gouda era da França. Pois bem, não é. É da Holanda, dessa cidadezinha de mesmo nome e tamanho ainda menor que as duas últimas citadas.
Lá não tem muito o que ver e descobrir. Tudo gira em torno do famoso queijo e a cidade é enfeitada com imagens dele por toda parte. Também é possível encontrar uma centena de variações do queijo gouda (diferentes temperos, cores, volumes e o que mais você imaginar) que é pra ninguém botar defeito.

Gouda Markt - O mercado central nos mesmo moldes de todas as cidades dos tempos antigos

Tamancos holandeses e queijos. Muitos queijos.

Estátua de camponesa com o queijo gouda. Reparem que ela usa os tamancos clássicos holandeses.

E encerrando esse primeiro capítulo com cidadezinha bucólica e queijos holandeses, não tinha como dar errado né?
Mas tem muito ainda no porvir. Espero que seja repleto de boas histórias!
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