No meu calendário dessas férias, a primeira semana ficou
toda dedicada à Bélgica e/ou cidades próximas que servissem para um
bate-e-volta. Então, como não poderia deixar de ser, foi uma semana bem “familiar”.
Na terça feira, após o feriado em que estivemos na Holanda,
foi o primeiro dia totalmente Bélgica da viagem. E a primeira coisa a fazer foi:
as comprinhas! E aproveito aqui pra dar aquela dica amiga... Aposto que quando você leu aí em cima “comprinhas”
já pensou logo em sourvenirs, né? Mas
não, fomos ao supermercado mesmo. E a dica aqui é que, se você vier pra Bélgica
e pretender levar aquelas maravilhosas cervejas de lembrança, compre no
supermercado. Evite comprar nos centros turísticos e lojas “especializadas”. A
variedade é tão igual (ou até maior) que nesses lugares. O mesmo serve para os
chocolates. A não ser que você queira comprar de alguma marca chique ou algo
artesanal, especial, etc. Mas te garanto que os chocolates “povão” de
supermercado são tão deliciosos quanto.
| Essa belezinha custa em média R$ 200 no Brasil. Dica, não vale o preço de lá, nem daqui. |
| Dá pra comprar até uma bike da Duvel, olha que beleza! |
Mais tarde nesse mesmo dia, foi a hora de fazer meu programa
clássico: bater perna no centro! A
área central da cidade, nos arredores da Grand
Place, é um pedaço onde eu já sei me virar sozinho sem me perder e sem
precisar de mapa. Então, comprei 2 tickets de 1 viagem no metrô (as coisas aqui
mudaram um pouco: para comprar tickets de múltiplas viagens, tem que ser com um
tipo de cartão chamado MoBBi, que é
tipo o VEM de Pernambuco. Não vale a pena eu fazer só pra uma semana) e comecei
meu roteiro de checkpoints.
| Gare Centrale |
Seguindo a memória dos meus pés, comecei pela já citada Grand Place, onde tirei uns minutos pra
sentar no chão e contemplar, junto com outras centenas de turistas com suas câmeras
e paus-de-selfie. De lá, era hora de
testar se a memória dos meus pés estava afiada mesmo e tentar encontrar um dos
meus bares favoritos, onde eu tenho que ir bater o ponto toda vez que venho
aqui: o Mappa Mundo. Meus instintos não
falharam e rapidamente o encontrei, e lá pedi um pint de 500ml e sentei numa das mesinhas da calçada pra ficar
olhando a vida dos belgas. Não tava calor, mas também não tava exatamente frio.
Mesmo com o vento chato e a perna balançando, fiquei lá mesmo, afinal, when tourist, be tourist.
| Hello again! |
De lá, bati mais um pouco de perna passando por outros
lugares que me lembrava, incluindo o bem sem graça Manenken Pis, e depois quando bateu a “sede” mais uma vez, fui
atrás do meu outro bar preferido, onde também tenho que bater o ponto toda vez:
o Delirium Café.
Como sempre, fui direto pra parte do subsolo onde é a “balada”
mais forte. Tava bem lotado, tive até que ficar em pé. É um bar bem pra turista
mesmo, por isso enche bem fácil. Lá tomei uma Blanche de Watou, e depois dela uma Kwak, enquanto rolava um DJ bem eclético, tocando de Marvin Gaye à
Kaiser Chiefs.
| Se isso não é um sinal de que eu deveria estar aqui, eu não mais o que pode ser. |
Na saída de lá, parei pra um lanche rápido no Quick, que é tipo um McDonald´s daqui,
pois já era tarde e não queria dar trabalho pro pessoal em casa.
Na saída do metrô, no trecho da caminhada até em casa,
lembrei do que é uma das melhores coisas da vida aqui na Europa: voltar
caminhando, despreocupado, ouvindo sua música favorita no fone de ouvido e
cantando alto com um ventinho frio no rosto, de noite, sem paranoia de assalto
ou violência. Isso com certeza é uma das coisas que mais fazem falta quando
voltamos.
| ruazinha de "casa" |
Na quarta feira foi o dia da cerimônia de batizado da minha
afilhada Iris, que, pra quem não
sabe, é o principal motivo dessa minha viagem pra cá (“Missão Mudinho Padrinho”!).
Foi uma situação bastante curiosa pois, a missa foi realizada aqui em Sint Pieters Leeuw, onde eles moram, e
toda em holandês! Eu que já não
entendo muito de missas, em holandês muito menos, fiquei mais perdido que cego
em tiroteio. Algumas horas tem que repetir umas frases junto com padre e eu não
podia fazer nada a não ser olhar. Haha. Nos momentos em que eu tinha que
responder alguma coisa, meus parentes me diziam o que falar, eu repetia e aí
tudo correu bem. Um momento curioso foi no início da missa, quando padre foi de
um por um entregando um papel com os trechos que seriam lidos na missa e quando
entregou a Iris ela disse (em holandês): “não
precisa me dar pois eu não sei ler”. Hahahahahaha... Minha vontade na hora
era pedir pra ela dizer o mesmo por mim. Haha. Muito fofa!
Mesmo sem entender nada, foi tudo lindo e muito importante
pra mim de estar ali, pois minha afilhada é uma das coisas mais lindas e fofas
que vocês vão ver na vida e, apesar de estar a uns 10 mil km de distância, eu
já amo ela como se estivéssemos sempre bem pertinho!
| Padrinho! |
Chegou a quinta feira e era hora de aproveitar pra tentar
conhecer alguma cidade nova aqui por perto. Depois de levantarmos algumas
opções, a decisão foi por Liège, que
é a segunda maior cidade do país, depois de Bruxelas, obviamente. Meu tio se
ofereceu pra ir comigo então pegamos o carro e seguimos por, mais ou menos, 1h
de viagem até o centro da cidade.
Chegando lá já se percebe uma cidade bem grande e movimentada.
Muita gente na rua, muita loja e muitos jovens, pois lá também funciona uma das
grandes universidades daqui: a Université de Liège.
Estacionamos e fomos
atrás de um mapa no centro de informações turísticas. Daí pra frente: pernas! A
cidade tem bastante ladeiras, então deu pra cansar legal. Depois de um bom
esforço, e acho que cansei meu tio até a próxima estação, chegamos numa das áreas
altas da cidade onde da pra ter uma vista bem ampla dela toda e ter uma ideia de
como é grande. Boas vistas que renderam boas fotos. E antes de ir embora, uma
paradinha pra tomar uma Chimay Rouge e aproveitar que fazia um sol muito
bom!
| Essa escadinha dá até pra cansar! |
| Chimay Rouge! |
Ainda na quinta, no começo da noite, fomos no Brussels Beer Project, que é um projeto
de cervejaria artesanal (ué, mas justo na Bélgica?) só que com uma pegada mais “caseira”.
Lá você pode fazer a “sua” cerveja com eles. Você entra com os ingredientes e a
receita, e eles com o maquinário, e voilá,
algumas semanas depois (dependendo de que tipo de cerveja é), está lá a sua
cerveja disponivel para consumo! Massa né?
| Menu de degustação |
Pulando para a sexta feira, dia oficial do happy hour, mudei de hospedagem pra casa
de Janaína e Alex, que fica numa região mais próxima do centro, no bairro de Matonge, que é um bairro BEM africano. Caminhando por lá
cruzamos várias vezes com traços fortes da cultura afriacana, como as roupas
cheias de cores e penteados afro.
Começamos o roteiro por um mercado gastronômico em Schumann que rola toda sexta feira numa
praça dali. Completamente LO-TA-DO de gente bebendo e comendo, comidas de todos
os tipos e origens. Comemos um tipo de wrap
marroquinho que achei no big deal,
mas quem sou eu pra servir de referência quando o papo é comida né?
Lá encontramos com Kirsteen,
a.k.a. “my favorite gringa”, que é
figurinha carimbada das minhas visitas aqui. Amiga das minhas primas desde a
infância, nos encontramos ali e demos aquele abraço bem “à brasileira”, longo e
barulhento! Sentamos num bar ali próximo, o Le Chaplin, com mais um monte de gente de diversos cantos da Europa
e que não consegui entender quem se conhecia ali e quem era amigo de quem. Mas
rolaram bons papos, à medida que meu inglês inseguro permitiu, e a constatação
final foi que: os finlandeses são um povo muito gente boa! Sempre abertos e simpáticos,
falam sorrindo e tocando. Brasileiros agalegados, eu diria.
| Anoitecendo em Schumman |
De lá, passamos ainda em dois bares, os quais eu vou ficar
devendo o nome. O primeiro bem pequeno e intimista, com gente tanto de terno e gravata, naquele estilo “acabei
de sair do escritório” quanto uma turma de 8 a 10 jovens numa mesa onde cabem
6. O segundo bar era um mais especializado em cocktails and gin & tonic. O legal dele era a decoração com os
caixotes de madeira, tipo grade de vinho, pelo teto, e... amendoins grátis! O bom e velho amendoim que a gente come toma vez
na praia. Pra me sentir em boa viagem só faltou o calor e a areia.
| Que massa né? |
| Améduim! |
Passando pro sabadão, não tem muito o que contar. Foi
tranquilão e família. Tivemos o almoço de recepção/comemoração do batizado de
Iris num restaurente bem chic. Gente
de todas as nacionalidades possíveis entre os convidados e o que eu posso dizer
é que meu cérebro estava prestes a sair fumaça com tanta troca de idiomas,
entre português, francês, inglês, holandês... tudo numa mesma mesa, e às vezes
numa mesma conversa, e às vezes entre as mesmas pessoas! Ufa! Cansou mais que
pensar em lógica de programação!
Sem grandes farras pra esse sábado à noite, nada além de um
ótimo papo em família no terraço. Pois no dia seguinte, partir cedo para o
aeroporto com destino ao próximo cápitulo da temporada: Varsóvia!
