quinta-feira, 15 de junho de 2017

Europa 3ª temporada – Cap. 2: Familiar Week


No meu calendário dessas férias, a primeira semana ficou toda dedicada à Bélgica e/ou cidades próximas que servissem para um bate-e-volta. Então, como não poderia deixar de ser, foi uma semana bem “familiar”.

Na terça feira, após o feriado em que estivemos na Holanda, foi o primeiro dia totalmente Bélgica da viagem. E a primeira coisa a fazer foi: as comprinhas! E aproveito aqui pra dar aquela dica amiga...  Aposto que quando você leu aí em cima “comprinhas” já pensou logo em sourvenirs, né? Mas não, fomos ao supermercado mesmo. E a dica aqui é que, se você vier pra Bélgica e pretender levar aquelas maravilhosas cervejas de lembrança, compre no supermercado. Evite comprar nos centros turísticos e lojas “especializadas”. A variedade é tão igual (ou até maior) que nesses lugares. O mesmo serve para os chocolates. A não ser que você queira comprar de alguma marca chique ou algo artesanal, especial, etc. Mas te garanto que os chocolates “povão” de supermercado são tão deliciosos quanto.

Essa belezinha custa em média R$ 200 no Brasil. Dica, não vale o preço de lá, nem daqui. 

Dá pra comprar até uma bike da Duvel, olha que beleza!

Mais tarde nesse mesmo dia, foi a hora de fazer meu programa clássico: bater perna no centro! A área central da cidade, nos arredores da Grand Place, é um pedaço onde eu já sei me virar sozinho sem me perder e sem precisar de mapa. Então, comprei 2 tickets de 1 viagem no metrô (as coisas aqui mudaram um pouco: para comprar tickets de múltiplas viagens, tem que ser com um tipo de cartão chamado MoBBi, que é tipo o VEM de Pernambuco. Não vale a pena eu fazer só pra uma semana) e comecei meu roteiro de checkpoints.

Gare Centrale


Seguindo a memória dos meus pés, comecei pela já citada Grand Place, onde tirei uns minutos pra sentar no chão e contemplar, junto com outras centenas de turistas com suas câmeras e paus-de-selfie. De lá, era hora de testar se a memória dos meus pés estava afiada mesmo e tentar encontrar um dos meus bares favoritos, onde eu tenho que ir bater o ponto toda vez que venho aqui: o Mappa Mundo. Meus instintos não falharam e rapidamente o encontrei, e lá pedi um pint de 500ml e sentei numa das mesinhas da calçada pra ficar olhando a vida dos belgas. Não tava calor, mas também não tava exatamente frio. Mesmo com o vento chato e a perna balançando, fiquei lá mesmo, afinal, when tourist, be tourist.

Hello again!

De lá, bati mais um pouco de perna passando por outros lugares que me lembrava, incluindo o bem sem graça Manenken Pis, e depois quando bateu a “sede” mais uma vez, fui atrás do meu outro bar preferido, onde também tenho que bater o ponto toda vez: o Delirium Café.
Como sempre, fui direto pra parte do subsolo onde é a “balada” mais forte. Tava bem lotado, tive até que ficar em pé. É um bar bem pra turista mesmo, por isso enche bem fácil. Lá tomei uma Blanche de Watou, e depois dela uma Kwak, enquanto rolava um DJ bem eclético, tocando de Marvin Gaye à Kaiser Chiefs.




Se isso não é um sinal de que eu deveria estar aqui, eu não mais o que pode ser.


Na saída de lá, parei pra um lanche rápido no Quick, que é tipo um McDonald´s daqui, pois já era tarde e não queria dar trabalho pro pessoal em casa.

Na saída do metrô, no trecho da caminhada até em casa, lembrei do que é uma das melhores coisas da vida aqui na Europa: voltar caminhando, despreocupado, ouvindo sua música favorita no fone de ouvido e cantando alto com um ventinho frio no rosto, de noite, sem paranoia de assalto ou violência. Isso com certeza é uma das coisas que mais fazem falta quando voltamos.

ruazinha de "casa"

Na quarta feira foi o dia da cerimônia de batizado da minha afilhada Iris, que, pra quem não sabe, é o principal motivo dessa minha viagem pra cá (“Missão Mudinho Padrinho”!). Foi uma situação bastante curiosa pois, a missa foi realizada aqui em Sint Pieters Leeuw, onde eles moram, e toda em holandês! Eu que já não entendo muito de missas, em holandês muito menos, fiquei mais perdido que cego em tiroteio. Algumas horas tem que repetir umas frases junto com padre e eu não podia fazer nada a não ser olhar. Haha. Nos momentos em que eu tinha que responder alguma coisa, meus parentes me diziam o que falar, eu repetia e aí tudo correu bem. Um momento curioso foi no início da missa, quando padre foi de um por um entregando um papel com os trechos que seriam lidos na missa e quando entregou a Iris ela disse (em holandês): “não precisa me dar pois eu não sei ler”. Hahahahahaha... Minha vontade na hora era pedir pra ela dizer o mesmo por mim. Haha. Muito fofa!



Mesmo sem entender nada, foi tudo lindo e muito importante pra mim de estar ali, pois minha afilhada é uma das coisas mais lindas e fofas que vocês vão ver na vida e, apesar de estar a uns 10 mil km de distância, eu já amo ela como se estivéssemos sempre bem pertinho!

Padrinho!

Chegou a quinta feira e era hora de aproveitar pra tentar conhecer alguma cidade nova aqui por perto. Depois de levantarmos algumas opções, a decisão foi por Liège, que é a segunda maior cidade do país, depois de Bruxelas, obviamente. Meu tio se ofereceu pra ir comigo então pegamos o carro e seguimos por, mais ou menos, 1h de viagem até o centro da cidade.

Chegando lá já se percebe uma cidade bem grande e movimentada. Muita gente na rua, muita loja e muitos jovens, pois lá também funciona uma das grandes universidades daqui: a Université de Liège.
Estacionamos e fomos atrás de um mapa no centro de informações turísticas. Daí pra frente: pernas! A cidade tem bastante ladeiras, então deu pra cansar legal. Depois de um bom esforço, e acho que cansei meu tio até a próxima estação, chegamos numa das áreas altas da cidade onde da pra ter uma vista bem ampla dela toda e ter uma ideia de como é grande. Boas vistas que renderam boas fotos. E antes de ir embora, uma paradinha pra tomar uma Chimay Rouge e aproveitar que fazia um sol muito bom!

Essa escadinha dá até pra cansar!
Chimay Rouge!
Ainda na quinta, no começo da noite, fomos no Brussels Beer Project, que é um projeto de cervejaria artesanal (ué, mas justo na Bélgica?) só que com uma pegada mais “caseira”. Lá você pode fazer a “sua” cerveja com eles. Você entra com os ingredientes e a receita, e eles com o maquinário, e voilá, algumas semanas depois (dependendo de que tipo de cerveja é), está lá a sua cerveja disponivel para consumo! Massa né?

Menu de degustação



Pulando para a sexta feira, dia oficial do happy hour, mudei de hospedagem pra casa de Janaína e Alex, que fica numa região mais próxima do centro, no bairro de Matonge, que é um bairro BEM africano. Caminhando por lá cruzamos várias vezes com traços fortes da cultura afriacana, como as roupas cheias de cores e penteados afro.
Começamos o roteiro por um mercado gastronômico em Schumann que rola toda sexta feira numa praça dali. Completamente LO-TA-DO de gente bebendo e comendo, comidas de todos os tipos e origens. Comemos um tipo de wrap marroquinho que achei no big deal, mas quem sou eu pra servir de referência quando o papo é comida né?

Lá encontramos com Kirsteen, a.k.a. “my favorite gringa”, que é figurinha carimbada das minhas visitas aqui. Amiga das minhas primas desde a infância, nos encontramos ali e demos aquele abraço bem “à brasileira”, longo e barulhento! Sentamos num bar ali próximo, o Le Chaplin, com mais um monte de gente de diversos cantos da Europa e que não consegui entender quem se conhecia ali e quem era amigo de quem. Mas rolaram bons papos, à medida que meu inglês inseguro permitiu, e a constatação final foi que: os finlandeses são um povo muito gente boa! Sempre abertos e simpáticos, falam sorrindo e tocando. Brasileiros agalegados, eu diria.

Anoitecendo em Schumman

De lá, passamos ainda em dois bares, os quais eu vou ficar devendo o nome. O primeiro bem pequeno e intimista, com gente  tanto de terno e gravata, naquele estilo “acabei de sair do escritório” quanto uma turma de 8 a 10 jovens numa mesa onde cabem 6. O segundo bar era um mais especializado em cocktails and gin & tonic. O legal dele era a decoração com os caixotes de madeira, tipo grade de vinho, pelo teto, e... amendoins grátis! O bom e velho amendoim que a gente come toma vez na praia. Pra me sentir em boa viagem só faltou o calor e a areia.

Que massa né?

Améduim!

Passando pro sabadão, não tem muito o que contar. Foi tranquilão e família. Tivemos o almoço de recepção/comemoração do batizado de Iris num restaurente bem chic. Gente de todas as nacionalidades possíveis entre os convidados e o que eu posso dizer é que meu cérebro estava prestes a sair fumaça com tanta troca de idiomas, entre português, francês, inglês, holandês... tudo numa mesma mesa, e às vezes numa mesma conversa, e às vezes entre as mesmas pessoas! Ufa! Cansou mais que pensar em lógica de programação!

Sem grandes farras pra esse sábado à noite, nada além de um ótimo papo em família no terraço. Pois no dia seguinte, partir cedo para o aeroporto com destino ao próximo cápitulo da temporada: Varsóvia!

terça-feira, 6 de junho de 2017

Europa 3ª temporada – Cap. 1: Welkom


E voilá! Eis que depois de alguns anos estou mais uma vez pondo meus pés no velho continente. E desta vez tudo começou correndo bem, sem as más surpresas da temporada passada. Mas claro que, pra não passar a chegada sem nenhuma emoção, fui parado por um fiscal do aeroporto já quase a 3 passos de sair no portão de desembarque e convidado a abrir minhas duas malas para inspeção. E dentre todas as muambas que minha família manda toda vez que alguém vem pro lado de cá, havia um pote (devidamente embalado) com, nada mais nada menos que, coxinhas. Sim, minha família é capaz disso e muito pior.
Após explicar que na mala haviam vários presentes pra minha família que vive aqui, então o guarda me pergunta:  “o que é que tem nesse pacote?”. E aí fiquei naquele dilema mental de “como raios eu vou explicar pra esse guarda belga o que é uma coxinha?”. Então num raciocínio rápido apenas falei a melhor opção que me veio à mente: “it’s chicken.”.
E então ele me diz: “chicken is not allowed”, e me diz pra não trazer mais isso. Chamou um outro oficial por lá, falaram algumas coisas em holandês enquanto esculhambavam com a organização da minha mala, tentou implicar com 2 pacotes de café,  um amassado e outro não, e por que eles estavam “diferentes”. Após ver que não tinha mais como achar cabelo em sapo comigo, falou: pode ir.

Como na minha primeira viagem situação semelhante aconteceu – fui vistoriado – não posso dizer que minha chegada foi com uma surpresa ruim. Muito pelo contrário!  Já no primeiro nascer do sol fui presenteado com uma muito boa surpresa...
Aproveitando que a próxima segunda feira seria feriado por aqui, Paulina e Kris me presentearam com uma viagem à Rotterdam!

Welkom Rotterdam


Eu fiquei maravilhado, pois Rotterdam era uma das cidades que tinha posto na minha cabeça de visitar com certeza nessa primeira semana que eu deixei sem programação definida. Então fomos nós 3 e no caminho confirmamos que teríamos também a companhia da minha outra prima Janaina e seu noivo Alex.

Check-in feito, hora de bater perna! O tempo estava ótimo, solzão (deu até pra queimar a testa no fim do dia) e temperatura por volta dos 18°. A cidade é muito linda e organizada, exatamente como eu imaginava quando estava vendo as fotos e lendo sobre na internet. O que eu não imaginava era como era pequena! Sério, acho que nunca peguei um mapa tão pequeno em toda minha vida. Cabia tudo num papel menor que A4 sem dobrar.
Mas não ache que isso é uma coisa ruim. Muito pelo contrário. É ótimo pois dá pra fazer tudo a pé, não tem risco de se perder e quanto mais você anda mais se maravilha com as ruas à beira da água, os barcos nos rios, patinhos, gaivotas e um número um pouco exagerado de McDonald’s.

Outra coisa legal é que a cidade consegue equilibrar muito bem a estética tradicional e portuária, com a estética moderna. Então é bem fácil num minuto cruzar de uma ruazinha dessas de 1400 e lá vai o trem, pra uma avenida com cara de centro comercial e prédios de arquitetura altamente louca e moderna.

Prédios velhos, prédios modernos, barcos e eu... Rotterdam é "de maas"!


Após um breve lanche num restaurante à beira do rio (claro), fomos para o primeiro passeio. E qual maneira melhor de começar a conhecer uma cidade cortada pelas águas do que um boat tour? Uma coisa curiosa é que Rotterdam tem os Water Taxi e Water Bus. Até pensamos em experimentar os dois pois eles (principalmente o taxi) navegam, digamos, “com emoção” como se fossem um cavalo de batalha e suas vidas dependessem disso. Porém, a função deles é exatamente aquela que propõem seus respctivos nomes: levar as pessoas de um ponto a outro da cidade. Ou seja, não é exatamente um tour.
Sendo assim, como verdadeiros turistas que éramos, resolvemos pegar o Spido. Um tour aquático num barco bem bastante enorme de grande mesmo, que passa por todas (ok, quase todas) as águas da cidade e vai também até a parte mais distante do porto, onde se pode ver os grandes navios de carga, transatlânticos e os titanics da vida. O barco é bem aquela plataforma turística: mesas e um café na parte de baixo, cadeiras e mais cadeiras nos 2 andares de cima. Tipo aqueles ônibus sightseeing só que na água e, porra, muito maior.

No topo do Spido


Depois de uns 15 minutos lá no andar de cima, estilamos com vento forte e frio e fomos fazer o resto do tour lá embaixo na parte coberta e protegida do vento gelado. Mas deu pra render boas fotos, tanto lá de cima como de baixo.

Ao final do tour, nosso próximo destino foi ir em direção as famosas Casas-Cubo. No caminho passamos em frente ao Markthal, que é um enorme e belíssimo mercado gastronômico, e fica quase em frente às casas-cubo. Mais prático, impossível. Infelizmente era um domingo e véspera de feriado e por isso, estava fechado nesse dia, então só vi por fora mesmo, mas tenho certeza que vale uma visita, principalmente à noite onde tudo fica iluminado. Li também que às vezes rolam uns eventos lá dentro. Deve ser bem legal.
A área das casa-cubo é bem maior do que eu esperava pelas fotos. Lá dentro funciona o hostel Stay Ok, que vi que tem uma boa avaliação quando estava pesquisando sobre a cidade. Outras lojinhas e outras coisas você também encontra lá pelo térreo, mas o legal mesmo é tendo a vista panorâmica por fora. Imagino como deve ser entrando mesmo nessas casas.

Markthal gigantão


Casas-Cubo

Após essa parte andamos por mais algum tempo, explorando as ruazinhas, chegamos à rua Witte de Withstraat, onde pude ver que provavelmente é o lugar da night de Rotterdam. Apesar do sol no céu, já era noite e tinha muita gente jovem (ou não) e descolada nas mesas dos bares  nas calçadas fazendo seu happy hour. A rua é repleta de opções de restaurantes de todos os tipos e nacionalidades. Paramos no Wagamama, uma rede de comidas asiáticas para nosso jantar, e apesar do meu gosto frescurento peculiar para alimentação, encarei e no final tava até bom, a não ser por algumas porções de arroz muito mal cozinhados.

Na saída, uma paradinha para um verdadeiro Gelatto Italiano e fomos encerrar nosso dia, bastante cansados depois de mais ou menos 10h de bate-perna.

No dia seguinte, antes de voltamos para Bélgica, duas paradas em Delft e Gouda, ainda na Holanda!


Delft foi até agora a surpresa mais maravilhosa. Acho que o fato de eu não saber absolutamente nada sobre o lugar contribuiu para o meu maravilhamento pois, meu deus, mas que cidade linda! (Russo, Renato)
Arriscaria traduzir como uma Brugge menor e menos medieval, mais pra vilarejo. Mas traz a mesmas características que tornam a cidade belga tão deslumbrante: canais e pontes ligando as ruas da cidade. O bucolismo é tanto que, assim que chegamos, demos de cara com um cachoro que ~ não aguentou e foi nadar ~, passeando simplesmente resolveu pular dentro de um dos canais, atrás de quê eu não sei. Patinhos, talvez?
Como toda cidade de 1400 e bolinha, Delft, tem uma praça central - o Markt - bem bonita e espaçosa. Onde se concentram todos os turistas e as lojas de sourvenirs e pessoas vendendo seus produtos e artesanatos.
Uma coisa que me chamou a atenção enquanto sentava um pouco por lá, foi a calmaria e a tranquilidade que ali havia, apesar de ser uma praça central e turística, com tanto comércio acontecendo. Ninguém grita, ninguém aborda, ninguém chama... Se fosse no nosso Brazilzão, hein? Imagina a "feira"?




Delft Markt
Em seguida, à apenas poucos minutos de viagem, fomos à Gouda, que curiosamente acabou sendo a piada da viagem pois eu soltei a pérola de dizer que achava que o queijo gouda era da França. Pois bem, não é. É da Holanda, dessa cidadezinha de mesmo nome e tamanho ainda menor que as duas últimas citadas.
Lá não tem muito o que ver e descobrir. Tudo gira em torno do famoso queijo e a cidade é enfeitada com imagens dele por toda parte. Também é possível encontrar uma centena de variações do queijo gouda (diferentes temperos, cores, volumes e o que mais você imaginar) que é pra ninguém botar defeito.

Gouda Markt - O mercado central nos mesmo moldes de todas as cidades dos tempos antigos

Tamancos holandeses e queijos. Muitos queijos.

Estátua de camponesa com o queijo gouda. Reparem que ela usa os tamancos clássicos holandeses.

E encerrando esse primeiro capítulo com cidadezinha bucólica e queijos holandeses, não tinha como dar errado né?
Mas tem muito ainda no porvir. Espero que seja repleto de boas histórias!

quarta-feira, 15 de maio de 2013

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